Relógio biológico (processo C) · pode adiantar-se.
Pressão de sono (processo S) · mais adenosina, mas menos recetores: o sinal para dormir enfraquece.
A saúde, a medicação e as rotinas também influenciam.
Ilustrativo · doi.org/10.2147/NSS.S555177 · doi.org/10.1016/j.neuron.2017.02.004 · Mishina et al., Front Pharmacol 2017
Uma noite em gráfico
O que podemos esperar?
1Adormece e acorda mais cedo
2Demora mais a adormecer
3Dorme menos tempo
4Acorda mais vezes
5Dorme também de dia
AcordadoREM, o sono dos sonhosSono leve (NREM 1–2)Sono profundo (NREM 3)
Ilustrativo · Adaptado de doi.org/10.1016/j.neuron.2017.02.004 · Ohayon et al., Sleep, 2004
Sinais de alerta
O que não devemos normalizar?
Insónia persistente com impacto durante o dia.
Ressonar alto, ou alguém ver pausas na respiração.
Sensações desconfortáveis nas pernas.
Sonolência excessiva durante o dia.
Acordar muitas vezes durante a noite.
Sinal de alerta 1
Insónia
Dificuldade em adormecer ou manter o sono.
Persistente e a afetar o dia.
12–20%
das pessoas mais velhas têm insónia crónica.
Primeiro tratamento recomendado: TCC-I
Terapia cognitivo-comportamental para a insónia. Sem comprimidos, em qualquer idade.
Patel et al., J Clin Sleep Med, 2018 · Riemann et al., J Sleep Res, 2023
Sinal de alerta 2 · apneia do sono
Quando a respiração interfere com o sono
Ressonar alto e frequente.
Pausas respiratórias, engasgamentos ou despertares com falta de ar.
Sono não reparador ou sonolência diurna.
Nos estudos do sono,
até 49%
das pessoas mais velhas têm apneia moderada a grave. Muitas nunca foram diagnosticadas.
Esquema simplificado · Ilustrativo
Senaratna et al., Sleep Med Rev, 2017 · critérios AASM
Sinal de alerta 3 · pernas inquietas
As pernas também tiram o sono
Vontade de mexer as pernas, com sensações desagradáveis.
Piora em repouso e ao fim do dia ou à noite.
O movimento alivia temporariamente.
Afeta 4 a 14% dos adultos, mais as mulheres, e aumenta com a idade. Pode estar ligada à falta de ferro.
Ohayon et al., Sleep Med Rev, 2012 · Winkelman et al., AASM, 2025
Sinal de alerta 4
Cansaço não é sempre sono
Sonolência: tendência para adormecer.
Fadiga: falta de energia ou exaustão.
Adormecer sem querer durante o dia merece atenção.
Atenção e memória
Humor e emoções
Recuperação física
Coração
Defesas
Para que serve o sono
Dormir não é desligar. É recuperar.
Sono e autonomia
1 em cada 3
pessoas com 65 ou mais anos cai pelo menos uma vez por ano.
Dormir 5 horas ou menos por noite
+52%
de risco de quedas repetidas no ano seguinte, independentemente de tomar comprimidos para dormir.
Em Portugal,
2 em cada 3
quedas que chegam às urgências acontecem em casa.
OMS, Global Report on Falls Prevention in Older Age, 2007 · Stone et al., Arch Intern Med, 2008 (mulheres ≥ 70 anos) · INSA, Observações, 2024 (dados EVITA 2023: 63,9%)
Portugal
Portugal é o país da OCDE que mais consome ansiolíticos, sedativos e hipnóticos.
Cerca de 1,5 milhões de pessoas têm receita de benzodiazepinas (comprimidos para dormir e para a ansiedade). O uso aumenta com a idade.
38
em cada 100 pessoas com 75 ou mais anos, numa unidade de saúde familiar de Braga, tomavam benzodiazepinas há mais de 3 meses.
Orientação internacional: evitar estes medicamentos nas pessoas mais velhas. Aumentam o risco de quedas, fraturas, confusão e acidentes.
Gomes et al., Acta Méd Port, 2023 · Madeira et al., Sci Rep, 2023 · Vilaça et al., Geriatrics, 2019 · American Geriatrics Society, Critérios de Beers, 2023
Medicação
Medicação e sono
Alguns medicamentos alteram o sono ou a capacidade de alerta.
A sonolência e a confusão podem aumentar o risco de quedas.
Comprimidos para dormir: em regra, não mais de 4 semanas.
Não suspenda nem altere medicação por iniciativa própria.
Fale primeiro com o seu médico ou farmacêutico.
Riemann et al., Guia Europeu da Insónia, 2023
Lares e instituições
Nos lares, o ambiente também tira o sono
10,5 min
Pouca luz natural durante o dia. Por dia, com luz forte (mais de 1000 lux). Dentro do lar: cerca de 54 lux.
1 em 2
Ruído, luz e cuidados à noite. Metade dos despertares longos coincidia com ruído ou luz. 87% das rondas acordavam o residente.
32%
Rotinas que não respeitam o ritmo de cada um. Durante o dia, os residentes estavam a dormir em 32% das observações.
Os sete hábitos que vamos ver aplicam-se também a quem vive num lar.
Shochat et al., J Sleep Res, 2000 · Schnelle et al., J Am Geriatr Soc, 1993 · Alessi et al., J Am Geriatr Soc, 2005 · Martin e Ancoli-Israel, Clin Geriatr Med, 2008
O objetivo
O que queremos do sono?
Recuperação e energia.
Atenção, humor e força para o dia a dia.
Participação, independência e autonomia.
Ao longo do dia
Sete hábitos que ajudam o sono
1Levantar sempre à mesma hora
2Procurar luz natural de manhã
3Atividade física regular
4Evitar cafeína, se interferir com o sono
5Quarto confortável, escuro e tranquilo
6Não ficar muito tempo acordado na cama
7Rever sintomas, rotinas e medicação com um profissional de saúde
Procurar ajuda
Quando devemos procurar ajuda?
Dificuldade persistente em dormir, com consequências durante o dia.
Ressonar com pausas respiratórias ou engasgamentos.
Sonolência excessiva ou adormecer sem querer.
Sensações desconfortáveis nas pernas que dificultam o adormecer.
Acordar com falta de ar, dor no peito ou palpitações.
O médico de família é o primeiro passo.
Autoavaliação
Como está o seu sono depois dos 65?
Tem dificuldade persistente em adormecer ou manter o sono?
Acorda cedo e não consegue voltar a dormir, com impacto durante o dia?
Ressona alto e com frequência?
Alguém observou pausas na sua respiração?
Sente sonolência excessiva ou adormece sem querer?
Respondeu «sim» a alguma? Fale com o seu médico de família.
Para saber mais
Fontes
Mander BA, Winer JR, Walker MP. Sleep and human aging. Neuron, 2017;94(1):19–36.
Bragazzi NL et al. The complex interplay between sleep and healthy aging: a scoping review. Nat Sci Sleep, 2025;17:3085–100.
Hood S, Amir S. The aging clock: circadian rhythms and later life. J Clin Invest, 2017;127(2):437–46.
Dijk DJ et al. Age-related reduction in daytime sleep propensity and nocturnal slow wave sleep. Sleep, 2010;33(2):211–23.
Ohayon MM et al. Meta-analysis of quantitative sleep parameters from childhood to old age. Sleep, 2004;27(7):1255–73.
Patel D, Steinberg J, Patel P. Insomnia in the elderly: a review. J Clin Sleep Med, 2018;14(6):1017–24.
Riemann D et al. The European Insomnia Guideline: an update. J Sleep Res, 2023;32(6):e14035.
Senaratna CV et al. Prevalence of obstructive sleep apnea in the general population. Sleep Med Rev, 2017;34:70–81.
Ohayon MM, O'Hara R, Vitiello MV. Epidemiology of restless legs syndrome. Sleep Med Rev, 2012;16(4):283–95.
Winkelman JW et al. Treatment of restless legs syndrome: AASM guideline. J Clin Sleep Med, 2025;21(1):137–52.
Organização Mundial da Saúde. Global Report on Falls Prevention in Older Age. 2007.
Stone KL et al. Self-reported sleep and nap habits and risk of falls and fractures in older women. Arch Intern Med, 2008;168(16):1768–75.
INSA. Quedas em pessoas com 65 e mais anos: dados EVITA 2023. Observações, 2024;13(35).
Gomes S et al.; Madeira L et al. Consumo de psicofármacos em Portugal. Acta Méd Port, 2023;36(4):264–74 · Sci Rep, 2023;13:6912.
Vilaça B et al. Benzodiazepine use in older adults, Braga. Geriatrics, 2019;4(1):27.
American Geriatrics Society. 2023 Updated AGS Beers Criteria. J Am Geriatr Soc, 2023;71(7):2052–81.
Shochat T et al. Illumination levels in nursing home patients. J Sleep Res, 2000;9(4):373–9.
Schnelle JF et al. The nighttime environment, incontinence care, and sleep disruption in nursing homes. J Am Geriatr Soc, 1993;41(9):910–4.
Alessi CA et al. A randomized trial of a combined physical activity and environmental intervention in nursing home residents. J Am Geriatr Soc, 2005;53(5):803–10.
Martin JL, Ancoli-Israel S. Sleep disturbances in long-term care. Clin Geriatr Med, 2008;24(1):39–50.
O sono muda. Nem tudo é da idade.
Cuidar do sono é cuidar da vida.
21:00
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